Verdade na Política

Março 6, 2008

A VERDADE É:

 QUEM MANDA É O PMDB.  LULA TEM QUE DISTRIBUIR CARGOS E SUCATEAR A MÁQUINA PÚBLICA, PARA AGRADAR SEUS ALIADOS. SENDO ASSIM ATÉ CARGOS NA PETROBRAS EMPRESA ESTATAL DE MAIOR IMPORTANCIA NACIONAL SÃO BARGANHADOS. E MELHOR DEIXAR O LUCRO DA EMPRESA DESPENCAR 17%, DO QUE DESAGRADAR OS AFILHADOS POLITICOS. O MERCADO ENTENDE E PERCEBE QUE FALTA GESTÃO E COMPREENÇÃO DESSE CANCÊR QUE CRESCE A OLHOS VISTOS. MAS NOSSO PRESIDENTE CISMA EM CHAMA-LOS DE ALIADOS MESMO SABENDO QUE CANCÊR JÁ TEM CURA.  

O PMDB tem a força
por José Marcio Mendonça, Seção: Política s 05:28:23.
JORNAL ESTADÃO S.PAULO.

O PT reclamou, esperneou, fez até veladas ameaças. A ministra Dilma Roussef
resistiu durante semanas. Em vão.

Com uma cesta fornida de votos na Câmara e outra no Senado, diante de um
governo apertado por duas CPIs – a dos Cartões, a ser iniciada, e a das
ONGs, agora reavivida – e com projetos importantes para votar, o PMDB fez
cara feia, exigiu e levou.

A diretoria da área Internacional da Petrobrás sai das mãos de um petista,
da linhagem do senador Delcídio Amaral, e vai para o colo de um
peemedebista, da escola mineira com o apoio de toda a bancada do partido na
Câmara.

Sai Nestor Cerveró e entra Jorge Zelada. Ambos são de formação técnica,
Zelada está na Petrobrás desde 1982. Não impoeta muito, porém: ambos são
indicações políticas, sinal de que devem servir a dois senhores.

Para não deixar totalmente insatisfeitos os padrinhos de Cerveró, ele vai
virar diretor financeiro da BR Distribuidora. Para acomodar outros
interesses, o Conselho de Administração da Petrobrás aprovou ainda a criação
de uma subsidiária para cuidar dos biocombustíveis. Antes seria apenas uma
diretoria.Ganho novo status: subsidiária tem mais postos de direção. No
coração das mamães estatais sempre cabe mais um.

(Em tempo: na contramão da maior parte das empresas privadas aqui
instaladas, entre elas, por exemplo, a Vale e os bancos, que apresentaram
vertiginoso crescimento nos seus lucros de 2006 para 2007, a Petrobrás fez
um movimento ao avesso. Lucrou 17% menos no ano passado em relação a seu
desempenho no ano retrasado. Foram apresentadas justificativas técnicas. Não
explicam tudo.)

Não está sendo apenas no terreno das nomeações que o PMDB está dando
demonstrações inequívocas de que é ele que tem a força na base aliada. Na
divisão das Comissões permanentes da Câmara, por ser a maior bancada, ficou
com a mais cobiçada delas – a de Constituição e Justiça, por onde passa
qualquer projeto na Casa antes de começar a tramitar.

Até aí, tudo normal.

Só que o PMDB indicou para o posto o notório deputado Eduardo Cunha, do Rio
de Janeiro, um aliado que já se mostrou um tanto incômodo para o governo no
ano passado, como todos estão lembrados. Cunha, como relator do projeto,
segurou o parecer a respeito a PEC da CPMF até conseguir nomear o
apadrinhado Luiz Paulo Conde para a presidência de Furnas.

Com isso, a PEC do imposto do cheque chegou no Senado com um prazo muito
curto para ser votada, o que dificultou as negociações com a oposição. Deu
no que deu.

Eduardo Cunha já mostrou de novo sua disposição. Indicou para relatar o
projeto de reforma tributária na CCJ o correligionário e conterrâneo
Leonardo Piciani, um jovem deputado em primeiro mandato. Em 2007, Piciani,
por obra e graça de Cunha, presidiu a CCJ. Os dois fizeram uma dobradinha
perfeita no caso da CPMF.

As orelhas do Planalto estão ardendo. Mas o que fazer? Nas circunstâncias
atuais, com a oposição batendo forte e pouco propícia a conversas, o PMDB é
o aliado preferencial. Acima até do PT – que, aliás, anda todo enciumado.

PS – Acompanhem a diferença: o PMDB chiou e levou na Petrobrás e em seguida
levará nas elétricas; o PT quis reagir, mas acabou sendo levado a aceitar
que o PSDB fique com a presidência da CPI dos Cartões Corporativos.

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